Se tem uma coisa que costuma deixar os pais de um recém-nascido cheios de dúvidas é a alimentação.
“Será que ele está mamando o suficiente?”
“Preciso acordar para dar de mamar?”
“Meu bebê mama toda hora. Será que meu leite não está sustentando?”
“Como saber se a pega está correta?”
“Ele perdeu peso. Isso é normal?”
“E se eu precisar dar fórmula?”
Essas dúvidas são muito comuns — principalmente nos primeiros dias de vida, quando tudo é novidade.
A boa notícia é que você não precisa descobrir tudo sozinho. O pediatra acompanha o bebê justamente para avaliar se a alimentação está adequada, como está o ganho de peso e se existe alguma dificuldade na amamentação.
Neste guia, vamos conversar sobre os principais pontos da alimentação do recém-nascido.
Importante: este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do pediatra. Recém-nascidos podem desidratar ou apresentar alterações de glicemia e icterícia rapidamente. Se houver dúvida sobre a alimentação do bebê, procure atendimento médico.

🍼 Amamentação: quanto o recém-nascido deve mamar?
Para a maioria dos recém-nascidos, o leite materno é o alimento ideal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, sem água, chás ou outros alimentos, quando não houver indicação médica diferente. Depois dos 6 meses, começam os alimentos complementares, mantendo-se o aleitamento.
Mas existe uma coisa importante:
Recém-nascido não costuma mamar seguindo relógio.
Alguns bebês mamam por períodos mais longos. Outros fazem mamadas mais curtas e frequentes. E existem aqueles dias em que parece que o bebê quer ficar no peito o tempo todo.
Isso pode acontecer e, sozinho, não significa que o leite materno seja insuficiente.
A recomendação é observar os sinais do bebê e oferecer o peito quando ele demonstrar fome.
Nos primeiros dias e semanas, muitos recém-nascidos mamam cerca de 8 a 12 vezes em 24 horas.
E se o bebê quiser mamar de hora em hora?
Pode acontecer.
Especialmente nos primeiros dias, o bebê pode fazer períodos de mamadas muito frequentes, chamados por algumas famílias de “mamadas em bloco” ou cluster feeding.
O mais importante não é contar apenas quantas vezes o bebê mama.
É avaliar o conjunto:
- como está a pega;
- se o bebê consegue retirar leite da mama;
- se está urinando adequadamente;
- como estão as fezes;
- como está o estado geral do bebê;
- e, principalmente, como está o peso.
🤱 Como saber se a pega está correta?
A pega é um dos pontos mais importantes da amamentação.
Uma pega inadequada pode fazer o bebê retirar pouco leite e também pode causar dor, fissuras e machucados no mamilo.
Durante a mamada, observe alguns sinais.
Uma boa pega costuma apresentar:
- boca bem aberta;
- queixo encostado ou bem próximo da mama;
- lábios evertidos;
- maior parte da aréola dentro da boca, principalmente a parte inferior;
- sucção com movimentos coordenados;
- deglutição perceptível durante a mamada;
- ausência ou pouca dor para quem está amamentando.
Um bebê que faz muitos “estalos” ou barulhos de clique durante a mamada pode estar tendo dificuldade para manter a pega ou para coordenar a sucção. Nessa situação, vale pedir que um profissional observe uma mamada.

Amamentar não deveria ser uma tortura
Um pouco de sensibilidade nos primeiros dias pode acontecer.
Mas dor intensa, persistente ou que causa fissuras no mamilo não deve ser simplesmente suportada.
Muitas vezes, pequenos ajustes na posição e na pega fazem uma grande diferença.
Se existe dor importante ou o bebê não parece conseguir retirar leite adequadamente, procure o pediatra ou um profissional capacitado em amamentação.
A Academia Americana de Pediatria recomenda avaliar a pega e a transferência de leite quando há dificuldade de ganho de peso ou suspeita de alimentação inadequada.
👶 Como saber se o bebê está com fome?
Chorar é um sinal de comunicação do bebê — mas nem todo choro significa fome.
O bebê também pode chorar porque está:
- com frio ou calor;
- com a fralda suja;
- desconfortável;
- cansado;
- querendo colo;
- ou simplesmente precisando de contato.
O Ministério da Saúde também destaca que o choro, sozinho, não é um bom indicador de fome.
Por isso, é interessante aprender a reconhecer os sinais mais precoces de fome.
Alguns sinais de fome são:
- mexer a cabeça procurando a mama;
- abrir e fechar a boca;
- colocar as mãos na boca;
- fazer movimentos de sucção;
- ficar mais agitado;
- procurar o peito quando encostado no colo.
O choro geralmente aparece mais tarde, quando o bebê já está bastante incomodado.
Por isso, quando possível, é melhor oferecer o peito antes de ele chegar ao choro intenso.
💧 Como saber se o bebê está mamando o suficiente?
Essa é provavelmente a dúvida número 1 dos pais.
E existe uma armadilha aqui:
Não dá para saber quanto o bebê mamou olhando apenas para o tempo que ele ficou no peito.
Um bebê pode ficar bastante tempo mamando e retirar pouco leite.
Outro pode fazer uma mamada mais curta e eficiente.
Por isso, o pediatra avalia vários sinais.
Xixi é um dos indicadores importantes
Nos primeiros dias, a quantidade de urina vai aumentando progressivamente.
Depois dos primeiros dias de vida, cerca de 6 ou mais fraldas molhadas em 24 horas é um dos sinais que ajudam a indicar ingestão adequada de leite.
Mas não olhe apenas para a fralda.
Também precisamos observar:
- estado geral;
- hidratação;
- sucção;
- deglutição;
- frequência das mamadas;
- icterícia;
- evacuações;
- e evolução do peso.
E o cocô?
O número de evacuações pode variar bastante.
Por isso, não é uma boa ideia avaliar se o bebê está mamando o suficiente apenas pela quantidade de cocô.
⚖️ Meu bebê perdeu peso. É normal?
É muito comum o recém-nascido perder algum peso depois do nascimento.
Isso acontece principalmente pela perda de líquidos nos primeiros dias.
O que importa é quanto peso foi perdido, quando isso aconteceu e como o bebê está clinicamente.
A Academia Americana de Pediatria informa que o peso de nascimento geralmente é recuperado entre 7 e 14 dias, especialmente em bebês amamentados. Uma perda superior a 10% do peso de nascimento precisa de avaliação.
Por isso, não é recomendado comparar o peso do seu bebê com o do filho da amiga, do primo ou do bebê da internet.
Cada criança tem sua própria curva.
O pediatra acompanha o peso, comprimento e perímetro cefálico e coloca essas medidas nas curvas de crescimento.
O que realmente importa?
Mais do que um número isolado na balança, avaliamos:
A tendência do crescimento ao longo do tempo.
É por isso que o acompanhamento pediátrico nos primeiros dias e semanas é tão importante.
📈 Como é o ganho de peso do bebê?
Depois da perda de peso esperada nos primeiros dias, o bebê deve começar a recuperar o peso.
A velocidade de ganho varia conforme idade, peso de nascimento, prematuridade, tipo de alimentação e condições clínicas.
Por isso, não existe um único número de gramas que sirva para todos os recém-nascidos.
Nos primeiros meses, o pediatra acompanha a curva de crescimento para verificar se o bebê está seguindo uma trajetória adequada.
Se o bebê não estiver ganhando peso como esperado, não significa automaticamente que “o leite da mãe é fraco”.
Pode haver várias causas.
Por exemplo:
- pega inadequada;
- dificuldade de sucção;
- transferência insuficiente de leite;
- mamadas pouco frequentes;
- sonolência excessiva;
- alguma condição clínica do bebê;
- dificuldade na produção de leite;
- ou uma combinação de fatores.
Por isso, antes de simplesmente concluir que “faltou leite”, é importante investigar o que está acontecendo.
🥛 “Meu leite é fraco?”
Essa é uma frase que muitos pais ouvem.
Mas leite materno não é classificado como “forte” ou “fraco”.
A aparência do leite também não é uma forma confiável de saber se ele está alimentando o bebê adequadamente.
O melhor jeito de avaliar se o bebê está recebendo leite suficiente é observar o bebê como um todo: alimentação, hidratação, eliminação e crescimento.
E uma coisa importante:
Peito cheio não significa necessariamente mais leite, assim como peito mais macio não significa que o leite acabou.
Conforme a amamentação se estabelece, as mamas podem ficar menos “duras” e ainda assim produzir leite normalmente.
🍼 E quando entra a fórmula infantil?
Às vezes, a fórmula infantil é necessária.
Ela pode ser indicada pelo pediatra em determinadas situações, por exemplo, quando o bebê não está recebendo leite materno em quantidade suficiente ou existe alguma condição clínica que exige uma estratégia específica de alimentação.
O uso de fórmula não significa que a mãe fracassou na amamentação.
Se houver indicação de complementar, o objetivo é alimentar e proteger o bebê e, quando possível e desejado pela família, preservar a amamentação.
Em alguns casos de dificuldade inicial de alimentação, a complementação temporária pode ser utilizada enquanto se trabalha a causa do problema.
A escolha do tipo de fórmula também não deve ser feita simplesmente pela propaganda ou pela embalagem.
Existem fórmulas para diferentes situações clínicas, e algumas são destinadas especificamente a necessidades dietoterápicas.
Fórmula não é tudo igual.
Por isso, converse com o pediatra antes de trocar ou iniciar uma fórmula.
🧴 Como preparar a fórmula com segurança?
Se o bebê usa fórmula infantil em pó, o preparo correto é muito importante.
A fórmula em pó não é estéril e pode haver risco de contaminação se for preparada ou armazenada de maneira inadequada.
A Anvisa orienta seguir rigorosamente as instruções do rótulo e manter atenção especial à higiene dos utensílios e à temperatura de preparo. Para produtos que necessitam de reconstituição, a regulamentação brasileira estabelece o preparo com água fervida e posteriormente resfriada a temperatura não inferior a 70°C, conforme as orientações aplicáveis ao produto.
Alguns cuidados importantes:
- lave bem as mãos antes do preparo;
- higienize adequadamente mamadeiras, bicos e utensílios;
- utilize a quantidade de água e pó indicada pelo fabricante;
- não coloque mais pó para “engrossar” a fórmula;
- não dilua a fórmula além do recomendado;
- confira a temperatura antes de oferecer ao bebê;
- siga as orientações de conservação do fabricante;
- não use produtos de procedência duvidosa ou sem regularização.

A Anvisa reforça que fórmulas infantis devem ser adquiridas de fontes confiáveis e utilizadas com orientação de profissional de saúde.
🚫 Posso dar água para o recém-nascido?
Se o bebê está em aleitamento materno exclusivo, a recomendação da OMS é não oferecer água, chás, sucos ou outros líquidos nos primeiros 6 meses, salvo situações específicas determinadas pela equipe de saúde.
Mesmo em dias quentes, o leite materno fornece água suficiente para o bebê saudável.
Se você está preocupado porque o bebê parece estar com sede, mamando muito ou urinando pouco, isso merece avaliação — e não simplesmente a oferta de água.
🕐 Preciso acordar o bebê para mamar?
Essa resposta depende da idade do bebê, peso, condições clínicas e orientação do pediatra.
Um recém-nascido que está mamando bem e crescendo adequadamente pode ter uma orientação diferente de um bebê que:
- nasceu prematuro;
- apresentou perda de peso importante;
- está com dificuldade para mamar;
- está muito sonolento;
- apresenta icterícia;
- ou ainda não recuperou o peso de nascimento.
Por isso, não existe uma regra única para todos os recém-nascidos.
Se o bebê está dormindo por períodos longos e você está preocupado com a alimentação, converse com o pediatra antes de simplesmente deixar de oferecer as mamadas.
🚨 Quando devo procurar o pediatra?
Alguns sinais merecem atenção.
Procure avaliação médica se o recém-nascido:
- está muito sonolento e difícil de acordar para mamar;
- não consegue pegar ou permanecer no peito;
- mama muito pouco ou parece não conseguir sugar;
- apresenta redução importante da urina;
- apresenta sinais de desidratação;
- está vomitando repetidamente;
- apresenta piora da icterícia;
- perdeu peso além do esperado;
- não está recuperando o peso;
- apresenta febre;
- ou se os pais simplesmente sentem que “tem alguma coisa errada”.
Em recém-nascidos, é melhor avaliar uma dúvida do que esperar vários dias para ver se melhora.
❤️ E se a amamentação não estiver acontecendo como eu imaginava?
Essa talvez seja a parte mais importante deste texto.
Amamentar pode ser maravilhoso, mas nem sempre começa de forma fácil.
Às vezes dói.
Às vezes o bebê não pega.
Às vezes o leite demora mais para aumentar.
Às vezes o bebê precisa de complemento.
Às vezes a mãe precisa ordenhar.
Às vezes a família escolhe outro caminho.
O mais importante é que o bebê esteja alimentado, hidratado, crescendo e sendo acompanhado.
Quando existe dificuldade, procure ajuda cedo.
Quanto antes identificamos um problema de pega, transferência de leite, produção ou ganho de peso, maiores são as possibilidades de corrigir o que estiver acontecendo.
E pedir ajuda não significa que você está fazendo algo errado.
Significa que você está cuidando do seu bebê.
👶 Resumindo: o que devo observar no meu recém-nascido?
Quando o assunto é alimentação, tente pensar menos em uma única pergunta — “quanto ele mamou?” — e mais no conjunto.
O bebê:
Mama?
Consegue pegar e sugar?
Engole?
É possível perceber transferência de leite?
Urina?
A quantidade de fraldas molhadas está adequada para a idade?
Está bem?
Está ativo nos períodos em que está acordado?
Está crescendo?
O peso está evoluindo na curva?
Está confortável?
A mamada não está causando dor intensa ou lesões?
Esse conjunto de informações é muito mais útil do que comparar o seu bebê com outro.
📌 Uma última dica para os pais
Nos primeiros dias, é normal olhar para o bebê e pensar:
“Será que estou fazendo tudo certo?”
Provavelmente essa pergunta vai aparecer muitas vezes.
Alimentação é um dos motivos mais comuns para as famílias procurarem o pediatra — e é exatamente para isso que serve o acompanhamento.
Não espere o bebê ficar muito abatido, perder muito peso ou a amamentação ficar insuportável para pedir ajuda.
Quanto mais cedo uma dificuldade é identificada, mais fácil costuma ser intervir.
Fontes médicas e referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — Infant and young child feeding
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — Breastfeeding
- Ministério da Saúde — Aleitamento materno
- Ministério da Saúde — Saúde da criança
- American Academy of Pediatrics — Newborn Visit
- American Academy of Pediatrics — First Office Visit
- American Academy of Pediatrics — Breastfeeding
- Anvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Aleitamento materno
Conteúdo educativo. Não substitui consulta, exame físico ou orientação individualizada do pediatra.
Seu bebê está mamando bem?
Cada recém-nascido tem suas particularidades. Se você está com dúvidas sobre amamentação, pega, ganho de peso ou uso de fórmula, uma avaliação individual pode ajudar a entender o que está acontecendo.
👉 Agende uma consulta com a Dra. Babi e tire suas dúvidas sobre a alimentação do seu bebê.


